15/10/2011

A caminho de Abril?


Já aqui há alguns dias ouvi uns ecos que os Serviços de Informação alertaram para a possibilidade de tumultos em Portugal. Tive quase vontade de rir - nós, povo pacato, ao pontapé na rua é algo que não me passa pela cabeça.


No entanto, a verdade mostra que o descontentamento é geral e atravessa quase todos os sectores da população: como frisa o DN, desde 1974 o salário mínimo aumentou apenas e tão somente 88€; o SOL em entrevista a Manuel Carvalho da Silva indica que o aumento de duas horas e meia de trabalho por semana representa um corte nos salários de 6,25% - enfim, depois de três décadas de promessas, parece que estamos - globalmente - a chegar a um ponto de não-retorno... Para além da manifestação marcada para hoje - nao só em Portugal -outros tantos avisos e semelhantes ameaças perfilam-se para acontecer em breve... 
O que hoje me chamou a atenção foi a notícia do jornal  Económico escrevendo sobre o descontentamento dos militares. A História não se repete, sempre ouvi dizer,  mas isso não impede que tenha episódios muito similares. Quiçá  Abril está mais perto do que se julga? Fica aqui o texto do jornal : 


Crise

Militares avisam Governo que estão com a população contra a austeridade

Rita Paz com foto de Paula Nunes
14/10/11 19:25


Militares avisam Governo que estão com a população contra a austeridade
Militares admitem endurecer as manifestações de descontentamento e já marcaram um encontro nacional para 22 de Outubro.
A Associação Nacional de Sargentos (ANS) reagiu hoje às novas medidas de austeridade anunciadas ontem pelo Governo e que vão fazer parte do Orçamento do Estado para 2012.
Ao Económico, O presidente da ANS diz que "já há muito tempo" que os militares estão "a preparar uma série de iniciativas". E "se alguma dúvida existia na mente dos mais crédulos, as afirmações de Passos Coelho deitaram abaixo qualquer dúvida".
António Lima Coelho lembra que "há meses atrás, na oposição, Passos Coelho disse a Sócrates, na altura primeiro-ministro, que cortar nos subsídios era um disparate" e acrescenta: "Nós temos de ter memória, não podemos continuar a ser adormecidos com conversas bem ditas".
Por isso, "no próximo dia 22 vamos realizar um encontro nacional. E este não é um encontro que se encerra em si mesmo, dado que poderão ser encontrados outros caminhos, quer sejam de demonstração de mau estar quer sejam de reiterar a disponibilidade para com quem está no poder de encontrar soluções para todas as partes", sublinha António Lima Coelho.
É que, segundo o responsável, as novas medidas de austeridade anunciadas ontem por Passos Coelho, "põem em causa os direitos constitucionais e inclusive de soberania" do país, sendo que "o corte dos subsídios é um agravamento de uma situação que já era muito difícil".
"As revoluções não se anunciam"
António Lima Coelho admite que "para o cidadão comum é muito difícil não conseguir cumprir os seus compromissos, mas para um militar que está obrigado a cumprir com as leis da República é muito mais grave".
Os militares garantem assim que "estão ao serviço do povo português e não de instituições particulares", e avisam: "Que ninguém ouse pensar que as Forças Armadas poderão ser usadas na repressão à convulsão social que estas medidas poderão provocar".
Questionada sobre um possível endurecimento dos protestos por parte dos militares, a Associação avança que "as revoluções não se anunciam, quando chegam, chegam porque têm de chegar, mas espero que a bem do Estado de direito que nunca um cenário desses se venha a pôr", conclui.
Recorde-se que no mês passado Passos Coelho fez questão de frisar, no discurso que escolheu para a sessão de encerramento das Festas do Povo, em Campo Maior, que "em Portugal, há direito de manifestação, há direito à greve. São direitos que estão consagrados na Constituição e que têm merecido consenso alargado em Portugal".
No entanto, avisou na altura o primeiro-ministro, "aqueles que pensam que podem agitar as coisas de modo a transformar o período que estamos a viver numa guerra com o Governo", quando o que existe é "uma guerra contra o atraso, a dívida e o desperdício", esses "saberão que nós sabemos dialogar, mas que também sabemos decidir".

14/10/2011

Outro...

vídeo que apela à mudança, mas sinceramente não sei onde encontraremos forças para mudar ...  isto está crítico:

A verdade da mentira...

Eu já ouvi o Primeiro Ministro dizer, infelizmente...

Porque o Fado nos Está na Alma 58

Oh que dia glorioso!
Acabo de abrir a janela e o céu límpido e azul promete um dia ameno de calor e alegria... Está nos noticiários, nos jornais, nas rádios, passa de boca em boca, qual cantiga da rua... Depois da toccata e fuga em Passos de Coelho, abre-se uma nova dimensão da nossa realidade!
Minhas senhoras, meus senhores, de Dvorak, a nona sinfonia, "Do Novo Mundo"   

O Cartoon do Dia

Cheira-me que hoje vai haver mais do que um... Talvez me engane...

11/10/2011

O Cartoon do Dia

E, em linha com o meu post anterior...

A crise veio para ficar?

Há alguns dias não tive oportunidade de o publicar o cartoon do Público mas o texto ficou a ecoar no meu pensamento...


Esta irónica observação põe o dedo na ferida: será que o modelo económico dos países da OCDE esgotou?
Os mercados estão saturados, há mais oferta que procura, a mão-de-obra barata continua a ser substituída pela tecnologia, etc, etc, etc.... do outro lado tivemos os acampamentos de Madrid, agora mais recentemente, os protestos em Wall Street, no Sábado começaram também a chegar a Bruxelas "indignados" de Espanha e França...
A cada duas semanas na Europa anuncia-se uma nova ronda de negociações para salvar bancos ou investidores, como lhes queiram chamar e protelam-se os problemas em vez de criar soluções. O compadre Obama dos Estados Unidos também não está melhor - o Dólar continua a guerra dos preços baixos contra o Yuan da China mas aparentemente sem que haja uma reacção europeia mais forte e concertada, isso não vai ser possível. Enquanto isso existem pessoas normais por trás da crise que pedem apenas um pouco do que lhes assiste, equilíbrio social.  Eu não gosto de falar em problemas mas em soluções. A crise está aí, veio para ficar e exige uma nova ordem de coisas. Talvez seja tempo de os decisores políticos e económicos passarem a olhar para esta temática de outro prisma com vista a soluções que atendam também as necessidades dos números que afinal também são pessoas.

09/10/2011

Cara ou Coroa?


por Fátima Rolo Duarte

... mais valia continuar calado...

Ciência e Tecnologia:

Afinal existe uma coisa mais rápida que a velocidade da luz!

Conta o compadre Manel que a coisa mais rápida que a luz é a caganêra - na outra noite, nem teve tempo para pensar quanto mais para acender a luz e já estava todo...

(perdoem-me a baixeza da linguagem)
boa noite

Como se treinam

aspirantes a campeões:

... e perdoem a linguagem, sim?

08/10/2011

Preocupante...

É o título da notícia do JN:

Mais de 14 mil participações de violência doméstica em seis meses

Não é possível mudar a mentalidade de uma pessoa de um dia para o outro, mas será possível evitar casos futuros ao actuar pró-activamente através da educação, como também frisa a Secretária de Estado. No entanto, enquanto se educa, espero que os meios disponíveis comecem a dar resultados e que se possa progredir no combate a este flagelo.

02/10/2011

Andam a copiar-nos

do lado de lá do Atlântico... os pastéis de bacalhau são bons mas nem com esforço conseguem esconder a pronúncia brasuca...

Porque o Fado nos está na Alma 54

Eu não tenho quintal e nem sequer uma varanda... por isso resta-me a música dos outros.

27/09/2011

Apreensão

arrepio e choque. Foi o que senti depois de ver isto.     

Desde estes acontecimentos que algumas destas pessoas estão desaparecidas. Homens, mulheres e crianças, inclusivamente. 


Não é uma auto-estrada que está em causa - é muito mais. E o resultado será que estes homens, estas mulheres e estas crianças vão perder o que lhes dá o sustento: o TIPNIS


Aqui venceu a lei do mais forte e este é aparentemente o preço a pagar pelo "progresso", a expansão "cocalera" e do saque de recursos alheios por grandes potências...  Mas, ninguém no poder quer saber disso. 




Esclarecedor, leia-se também o comentador político Pablo Andrés Rivero em "Os Oito Pontos Chave para entender o conflicto [do TIPNIS] na Bolívia".
  
Num país que tem "açúcar" e "paz" como capitais, entenda-se que este é um momento amargo e revoltante para o chamado Demo Kratos ..



E, antes de terminar, porque o conceito é válido em qualquer parte do mundo e também bastante actual, tanto na Bolívia, como em Portugal, deixo aqui um parágrafo do livro " A Democracia" (publifolha 2001) de Renato Janine Ribeiro:

A palavra democracia vem do grego (demos, povo; kratos, poder) e significa poder do povo. Não quer dizer governo pelo povo. Pode estar no governo uma só pessoa, ou um grupo, e ainda tratar-se de uma democracia – desde que o poder seja do povo. O fundamental é que o povo escolha o indivíduo ou grupo que governa, e quecontrole como ele governa. 


Nunca é demais relembrar estas coisas simples.

Com tristeza

leio que um dos meus realizadores preferidos acaba de nos deixar.

David Croft, argumentista Inglês, residente em Portugal deixou-nos um excelente legado difícil de igualar em número de gargalhadas e boa disposição por minuto.
Argumentista e produtor vivia em Portugal
imagem surripiada do Público
 




Obrigado.

25/09/2011

Porque o Fado nos está na Alma 53

Acabo de ouvir que a campanha na Madeira oficialmente começou com mais uma inauguração. E, não sei bem porquê, apeteceu-me imediatamente dedicar esta música ao Albert John...

24/09/2011

Porque o Fado nos está na Alma 52

Hoje vamos dar uma olhadela ao Rock In Rio que neste momento está a decorrer na cidade do Rio de Janeiro.
Rui Veloso, o pai do nosso Rock, entrou em grande com duas outras figuras de peso da música brasileira: Ed Motta e Andreas Kisser, guitarrista do conhecido grupo Sepultura




Como reagiria...

23/09/2011

Nota de apreço


imagem surripiada
 de http://tiny.cc/82tq6
Gostava de deixar aqui uma nota especial de apreço a Alberto João Jardim pelos serviços prestados na defesa dos interesses de uma minoria da população portuguesa, em concreto, os interesses dos habitantes da região insular da Madeira, a quem tantas obras consagrou ao longo das últimas três décadas e picos...

Todos nós, portugueses do continente sentimo-nos deveras lisonjeados porquanto não merecíamos a tamanha dívida, esta, com que fomos brindados e, ainda que essa seja uma coisinha de nada, vai-nos ficar para recordação nos Orçamentos de Estado, quiçá, das próximas três décadas, tornando este magnífico óbolo no fruto do trabalho de uma vida, essa,  multiplicada por onze milhões hoje e, daqui a quinze anos,  talvez, por metade - afinal a população está a envelhecer e cada vez mais se opta por ter menos filhos...

Mas, voltando ao essencial, obrigado Alberto, se é que me permites que te trate assim, porque estou certo que os portugueses gostavam todos de poder retribuir na mesma moeda, confiscando para pagamento das dívidas os bens acumulados (provavelmente até estarão fora de praia), proporcionando-te um julgamento justo com um juiz que não copiou nos exames, providenciando-te uma cela limpa de amplo espaço, com pelo menos nove metros quadrados e sobretudo com oportunidade para te encontrares com todos os teus compinchas que, do igual modo, te fariam companhia durante algumas horas por dia nas próximas, pelo menos, duas décadas...

Finalmente, gostaria de estender esta nota de apreço a todas as outras trinta personalidades e demais instituições que - não tendo informação oficial se opuseram a tomar qualquer acção, para que hoje pudéssemos chegar ao ponto em que nos encontramos.  A todos...

Ferreira - on the Road

Apetece-me dizer uma coisa

22/09/2011

O Cartoon do Dia


Oh, oh! Raspadinha já temos nós suficiente - é ver-nos raspar para chegar ao final do mês! Uh, uh!

21/09/2011

18/09/2011

Treinador de bancada

Depois de semanas a ouvir políticos, economistas, intelectuais, taxistas, padeiros, peixeiras, engraxadores de rua e quantos mais não sei por aí a falar da crise, do Euro, da Europa, do arrombo que Portugal, Grécia, Espanha, Itália, Irlanda e que mais de uma outra vintena de países levam, acho que me sinto cada vez mais esclarecido sobre o que não se deve fazer numa altura destas: cruzar os braços e esperar que quem vem atrás feche a porta. Ora eu, qual iluminado mal amanhado, eu posso ter opinião?  Quer dizer, poder, posso, mas não devia botá-la cá para fora porque fica mal uma vez que eu não sou engraxador de rua, peixeiro, padeiro, taxista, economista, político ou intelectual... Ah! Que se lixe, sou português e treinador de bancada, como outros noventa por cento dos apreciadores de futebol em Portugal e dos outros noventa e nove por cento dos analfabetos políticos. Ora então, cá vai:

De facto a Europa está a reagir melhor que outras potências face a esta crise - poucas dúvidas tenho que estejamos pior que os Estados Unidos por exemplo, que estão hiper-dependentes da China, qual  toxicodependente de heroína. Prova disso é ver o Euro, aí, aparentemente a vender saúde conquanto, de alicerces a abanar...

Mas se queremos continuar sentados a jogar póquer com os EUA, com a China e com a Rússia ou com a Índia, então temos que melhorar os sinais primeiro com os nossos parceiros Europeus. Temos de jogar em conjunto.

Mas, perguntam-me, está na altura de lhes abrir o jogo? Isso vai claramente contra as negociatas de ocasião... Isso obrigaria a mudar muita coisa na Grécia, em Portugal e nos outros vinte e cinco em termos de transparência... Eu sei, mas aparentemente o caminho que estamos a seguir também não se perfila como solução.

Ontem ouvi um comentador atacar a moeda única e a União Europeia, talvez com alguma razão. Ao longo dos últimos nove anos o Euro apareceu pequenino frente ao Dolar, a referência monetária mundial, encontrando pouco depois a paridade e, de seguida, a ascensão. Está certo que nem todos os efeitos deste processo foram justos para os cidadãos Europeus, bem como ficou provado que nem tudo funciona perfeitamente. Mas, admitamos, certas falhas só podem ser detectadas se houver evolução. E houve-a, para o bem e para o mal.  

Agora, será necessário agir rapidamente mantendo os pés bem assentes na terra porque senão cai a Grécia, cai a Itália, cai Portugal, cai a Espanha, a Irlanda e todos os outros atrás- mais depressa que peças de dominó empilhadas. Senhores políticos, ouvem? Tic, tac, tic, tac... é o tempo a passar! Mexam-se!

Pronto já está - não trouxe nada de novo mas expressei a minha inócua opinião...

17/09/2011

O Cartoon do dia

Ficou meio mundo espantado... De facto, até custa a compreender!

Depois de construir uma dívida com mais de 1100 milhões de euros, de desvalorizar as intenções do Procurador Geral da República, de ter dito: "A dívida subiu, mas não é nada comparado com a vergonha do Continente." agora vem acusar o contenente de falta de solida... solida - nem consigo dizer a palavra... É verdade, não subestimem o Alberto - vergonha não lhe falta!
 
Caros leitores, como o orçamento tem sido todo canalizado para a Madeira, não tenho mais do que os cartoons do bartoon para ir mostrando...

12/09/2011

O Cartoon do dia


Ui! 

Vocabulário Comum?? O Des-Acordo Ortográfico!

A propósito do chamado Vocabulário Comum no qual em parte assenta o denominado Acordo Ortográfico de 1990, pode ler-se no Ciberdúvidas uma excelente reflexão de D'Silvas Filho.

Dada a importância do assunto e apelando também à sua divulgação, transcrevo para aqui o texto publicado:


Sobre o Vocabulário Comum da Língua Portuguesa


D’Silvas Filho


[A] questão do Vocabulário Comum da Língua Portuguesa para apoio do Acordo de 1990 não tem sido pacífica. 
Texto escrito pelo autor para sua página pessoal, na Internet.
No introito, o Acordo regista:

«Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração, até 1 de Janeiro de 1993, de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto possível e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas.»
O texto não está perfeito. O Vocabulário Comum (VC), necessário um ano antes da data prevista para entrar em vigor o Acordo (1994), refere-se só às terminologias científicas e técnicas?
    Se a ideia era mesmo restringir as condições do VC às terminologias científicas e técnicas, uma redação mais correta seria:
a)   ..... um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa para as terminologias científicas e técnicas, tão completo e tão normalizador quanto possível.
De facto, basta no texto original fazermos uma pausa entre a estrutura
..... de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto possível .... e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas.
Ou, numa redação sem ambiguidades, tínhamos a nova ideia:
..... um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa tão completo quanto possível e, no que se refere às terminologias científicas e técnicas, tão normalizador quanto possível.
Uma das qualidades da língua é clareza na transmissão da mensagem (sem ambiguidades). Este pequeno exemplo deu bem a ideia de que não houve o cuidado que se exigiria na redação dum documento tão importante na língua. Aliás vários outros lapsos se detetam no texto do documento, o que bem justifica a sua revisão.
     Como se sabe, para o Acordo entrar em vigor era também necessário, no texto original, que todos os Estados signatários o ratificassem. Por isso esteve na gaveta muitos anos. Portugal mantinha-se indiferente; mas o Brasil, desejoso de afirmar a sua língua como grande potência emergente (e também desejoso de entrar nos PALOP, que seguiam a norma do português europeu) ficou impaciente.
Depois de se obter que a CPLP conseguisse um acordo geral em que bastava só a ratificação de três países signatários para o Acordo poder entrar em vigor, o Brasil, S. Tomé e Cabo Verde ratificaram-no.
Assim, com base nestas ratificações de 3 países, o Brasil, na interpretação a) do VC acima, elaborou um monumental Vocabulário para o novo Acordo: VOLP, com cerca de 350 000 entradas, e avançou com a entrada em vigor do Acordo no seu país em 2009. Repare-se que, no que se refere aos termos científicos, de qualquer forma o Acordo de 1990 não foi satisfeito.
Ora desde sempre que eu me tenho batido, em todas as instâncias, pela interpretação b), logo pela necessidade da existência de um VC que inclua todas as variantes da lusofonia (a Academia Galega deseja com justiça que inclua também os seus termos, porque, insiste, a sua língua também é uma variante da língua portuguesa).
Na interpretação b), a entrada em vigor do novo AO exigiria até a existência prévia (um ano antes) de um VC (dos termos comuns) para toda a lusofonia, ou pelo menos para os países nos quais o novo AO entrasse em vigor. Nesta ideia, a entrada em vigor do novo AO desobedece ao Acordo.
Repare-se que, a confirmar esta minha interpretação b), o 4.4 das Notas Explicativas do Acordo regista no fim:
c) «Os dicionários da língua portuguesa, que passarão a registar as duas formas em todos os casos de dupla grafia .....»
Ou seja, os dicionários gerais da língua portuguesa passarão, por exemplo, a registar antónimo e antônimo, co-herdeiro e coerdeiro, abrupto e ab-rupto, etc.; em resumo, todas as variantes da língua.
    Ora o vocabulário de papel VOLP brasileiro não tem algumas variantes portuguesas e tem termos que não adotamos, como o coerdeiro, ou o ab-rupto. Não serve como vocabulário geral para a língua. O mesmo poderão os brasileiros dizer dos nossos vocabulários para o Novo AO já publicados.

Note-se também que o texto c) está mais logicamente em coordenação com b), pois exige que num VC dos temos comuns, estejam todas as variantes da lusofonia (que seja completo quanto possível); enquanto na terminologia científica o que interessa é uniformizar os termos ao máximo, para que os técnicos usem exatamente a mesma linguagem nas suas comunicações ou projetos, sem quaisquer dúvidas que possam dar origem a enganos (que seja unificador, isto é, normalizador quanto possível).
Assim, em boa hora a CPLP tomou a seu cargo o empenho de realizar a língua comum pretendida, com a iniciativa de promover estas reuniões técnicas sobre o VC (para os termos comuns e não só para os termos científicos).
Sublinho, finalmente, que no início eu só defendia o VC a pensar no objetivo final que houve na mudança ortográfica feita e que a justificava. De facto, só com um VC geral poderemos dizer que estamos em presença duma língua comum planetária. Neste espírito, a entrada em vigor do novo AO nos diversos países onde já vigora, não passa de um mero preâmbulo para a constituição da língua comum almejada, e a realização dos respetivos vocabulários para o novo AO, unicamente como elementos de trabalho para a língua comum.
Agora vou mais longe. Depois de aplicar o Acordo nos meus livros, concluí que precisa de algum aperfeiçoamento nas suas imperfeições: As alterações ortográficas realizadas, algumas com violência dos hábitos de escrita, afinal pequena simplificação fizeram, e, inversamente, trouxeram incoerências, deixaram incertezas, nalguns casos provocam ambiguidades. Por exemplo, resumindo o que já referi em artigos anteriores: trouxe as incoerências do tipo “estupefação/estupefacto”; implicou a confusão escrita em “corretor” nos seus significados de intermediário e quem corrige; obrigou-nos à ambiguidade de “para”, do verbo parar, sem o acento, pois se confunde com a preposição “para”. Além disso, um VC permitirá a eventual uniformização de termos como “comummente/comumente” “hífenes/hifens”, etc.; em resumo, o aperfeiçoamento do Acordo de 1990, pois este será discutido em pormenor nas comissões científicas que vão elaborar o VC.
Esperemos que essas comissões sejam efetivamente constituídas por linguistas competentes e sensatos, que obedeçam ao critério de uniformizar e simplificar a língua, sim, mas que não lhe retirem muitas das virtualidades que os nossos ancestrais lhe foram dando. Os obreiros do Acordo de 1990 conseguiram uma obra meritória no seu objetivo difícil, mas agora não convinha que estivessem na comissão de trabalho para o VC, para evitar a teimosia em soluções que se revelaram controversas.

11/09/2011

Sobre o Autor

Consultor do Ciberdúvidas, membro do Conselho Científico da Sociedade da Língua Portuguesa e autor doProntuário Universal, Erros Corrigidos de Português, da Texto Editora.

11/09/2011

O Cartoon do dia


Aliás, as coisas pioraram tanto que já nem forças para rir eu tenho... E a verdade é que isto custa a ouvir. 

04/09/2011

Existir é tão fácil

Existir é tão fácil quando não se tem que ser.
As flores do quintal e os malmequeres do jardim
subsistem sem embaraço sem cuidado,
só lá estão porque alguém quis assim,
nem se perguntam qual o seu fado
nem o que lhes irá acontecer...

Porque o Fado nos está na Alma 48

Bach, Prelude No. 1 em Dó Maior (BWV 846)

02/09/2011

vinte milhões de euros????

E agora o que é isto? 20 000 000 € ??? Já não bastava a Madeira???
Andam a fazer pouco dos Portugueses??

Afinal os interesses instalados (os lugarzinhos da caixa) - que têm ideias à euromilhões -  não pretendem apenas delapidar a participação do estado em diversas empresas mas também ainda gozar com a cara dos portugueses que neste momento se encontram à beira da miséria! Estão a ultrapassar os limites da decência política!!!

Já chega!

Porque o Fado nos está na Alma 47

Uma obra-prima de J.S.Bach - a Paixão Segundo São Mateus, BWV 244 , vale a pena ser ouvida integralmente. Aqui fica uma pequena parte. Bom fim-de-semana.

01/09/2011

Em jeito de resposta 4

Mais uma vez, caro Folha Seca, pego no mote deixado por si sobre o "Triunfo dos Porcos" e deixo-lhe esta fotografia de uma placa que se encontra fixa ao monumento ao Marechal Floriano Peixoto, na praça da Cinelândia, Rio de Janeiro.    
Esta mensagem dá para ver como as coisas eram dantes. Curioso como os tempos mudam... 



28/08/2011

Diferenças...



Entrevista a Antônio Houaiss, para melhor compreender as diferenças que se relevam com o (des)acordo ortográfico de 1990.

O Cartoon do dia

De um lado, a resposta contra a krise!

...e do outro lado...


A batalha de uma vida

Há um tempo na vida em que procuro
chegar ao cume do saber,
uma estória esquecida
um momento sentido
uma guerra quase perdida
que eu ganho para sobreviver...
Num cavalo branco
de pata erguida
conquisto o mundo,
mas sou eu a perder!

Sou rei sem reino, um sem-abrigo,
um quase-poeta, um não-escritor
sou um pedinte,  um novo rico,
um verso antigo, um novo amor
sou um miserável, ou mesmo um herói,
um caçador  de  encantos,
carrego a tristeza onde mais me dói,
ali, no orgulho dos meus prantos

culmina a batalha, essa cruzada,
e eu ajoelho-me na terra  perplexo,
nesse campo de forças sem nexo
observo a morte, afasto a espada,
aquilo que somos é afinal
terra, pó e nada...

24/08/2011

Tenho uma lágrima de cor

Tenho uma lágrima de cor
Que me corre pela cara
Um desvario, meu amor,
é a saudade que não pára


É a distância que aumenta
E o silêncio que mais fica,
E eu...


Tenho uma lágrima de cor
Que me entorpece a alma
É um desejo, meu amor
voltar para a tua calma


Ficam os lápis e as letras
As canções que te embalam
Os sonhos, as portas abertas,
As salas, as pessoas que falam


E do meio da confusão
resulta o teu sono,
o sonho é já teu dono,
e amanhã é outro dia
A minha lágrima de cor
será um pedaço de alegria



21/08/2011

tenho-te comigo

Vi os teus olhos, como me olhaste,
Naquele momento de despedida
Senti, a lágrima que te correu no rosto,
O vento que a afastou,
Aquela ferida
Salgada, 
E de novo a estrada
na minha vida.


Parto. 
Sem ti
Mas com a tua voz gravada 
em cada pedra do piso,
uma vez a cada passada
a memória do teu sorriso
do teu gesto e mais nada...


Sem parar, nem olhar para trás
abro os passos para correr
quero fugir, quero ir 
mais além aonde sei
que te tenho comigo
onde vou




20/08/2011

15/08/2011

O Cartoon do Dia

Embora existam outras razões mais válidas Contra o Acordo Ortográfico de 1990, o Bartoon encontrou outra de também "grande" importância!

13/08/2011

Só as coisas ficam

A chuva que eu hoje vi cair,
fui a ver e já lá não estava
Desceu à terra
e sarou a sede das almas
etéreas...

A chuva que eu hoje ouvi cair
procurei mas já tinha partido
Muda como a nuvens
Deixou-se ir e foi
com o vento

Agora é noite e faz luar
Apaga-se o frio
e deixamo-nos ir
também

só as coisas
ficam

10/08/2011

O que eu já ri esta tarde....

Nem escrevo mais... vejam!

O Cartoon do Dia

Numa altura em que o BCE decidiu finalmente aliviar a carga das dívidas europeias, até Portugal saiu a lucrar com a descida dos juros- e ainda bem. Mas só a compra de parte da dívida de Espanha e Itália, não resolve o problema da zona Euro a longo prazo...  Então, meus senhores, o que vamos fazer? Vá, vá! Toca a tomar decisões e passar à acção... Os Americanos parecem já estar decididos...

PS: A sério, eu queria fazer umas férias sem cartoons mas não consigo evitar...

08/08/2011

O Cartoon do Dia

Eu sei, nem só de cartoons vive o Homem... mas é uma das formas agradáveis de observar a realidade quotidiana...

07/08/2011

O Cartoon do dia

Isto é que são chamadas de emergência!


E enquanto o bad boy Sócrates cortou 25% dos cargos dirigentes do Estado, o Passos Coelho continua a dotar os seus Ministérios de acessores pagos a peso de directores-gerais. Mas ou se trata de gente com super poderes... pfff... deve ser, deve... ou então são emergências...

05/08/2011

O Cartoon do Dia

É sobre a evolução das espécies... O homem vai evoluindo até chegar a macaco!

E entretanto, o povo assiste sereno a explicações e desculpas sobre um acto criminoso cometido por altos responsáveis da Nação. E demissões? Não há?  É no mínimo de requerer que se assumam as responsabilidades políticas deste acto. 


31/07/2011

inconfidências - mix

Futebol:
O que escreve Mourinho no seu bloco de notas?



Política: porque as promessas são para cumprir

29/07/2011

Por vós, Senhora

Por vós, Senhora,
O dia nasce e amanhece,
A chuva cai e a erva cresce,
Lentamente na sua demora.

Por vós, Senhora,
Raia o sol e entardece,
Viça a flôr e o fruto amadurece,
Lentamente na sua demora.

Para vós, Senhora,
não é o mundo que entardece,
mas o que está à sua volta.

Ao passar de cada hora
O sol que a ilumina arrefece
E a luz minga e apodrece...

Não, Senhora,
Não é o diabo que anda à solta,
é o sonho que esquece...

Sim, Senhora,
São os anos a passar.
Diga? Para falar mais alto?
Também eu já mal a ouço gritar..

O quê? Quer ir dançar?
Mas, Senhora, já mal se levanta!
Coitada, o que diz não me espanta.

Quer reviver o passado
Que a viu passar a ela,
quando o dia era iluminado
E o sonho aguarela...

Quer dormir, Senhora?
Eu aconchego a almofada.
Durma bem, durma descansada!
Eu estarei aqui fora!

Obrigado, Senhora, 
Pelo carinho, pela alegria
Por tudo quanto fez neste dia
Que anoitece agora!

Adeus, Senhora!
Vejo que chegou o fim...
Eu só queria dizer
Que gostei muito de viver
Consigo ao pé de mim!

Talvez, Senhora, 
Um dia a volte a encontrar!
Até lá...

O Cartoon do dia

Verdades...

22/07/2011

repetições de ser

Onde eu me perco, na minha estrada,
existe um vazio, um lugar de nada
Uma sombra que se apaga
A cada passo dado

Onde me perco, na minha caminhada
procuro qualquer coisa que foi
mas já não é.
Fui.

17/07/2011

On the road

Do Brasil para o mundo



A mensagem foi de
Aqui fica registada a presença da nossa Selecção Militar na cerimónia de abertura dos Jogos Militares do CISM, no Rio de Janeiro.


16/07/2011

O Cartoon do Dia

Há quem defenda certos interesses....

Por isso mesmo é necessário passar a agir, como bem menciona Ana Paula Fitas no seu blogue, e tomar POSIÇÃO!

11/07/2011

Em jeito de resposta 3

Pois é, caro Folha Seca,
Mais uma vez uma resposta a um comentário seu dá lugar a um texto. De facto, abutre é abutre e acaba por ser só mais um... veja bem, o senhor, que até o nosso grande abutre esteve este tempo todo à espera, quase calado, gemendo entre-dentes: 
-deixem-nos poisar! deixem-nos poisar!... 


...e agora, que o país bateu no fundo, que passámos a pagar mais caro para pagarmos ninguém sabe o quê e nos emprestarem o guito , parece que o homem acordou com um Paí...governo para defender! E já começou, sim senhor! Já começou a indicar que tendo em conta "a emergência social" (? mas não estamos a afundar?) os portugueses se irem habituando porque há famílias com altos graus de necessidades, veja por exemplo aquela do espírito e santo, a outra do português comercial e ainda aquela dos depósitos gerais em caixa - são três exemplos de aflição social...

Desde há semanas que se tem vindo a tentar tudo para inverter esta tendência negativa mas culpar a módis pelos males do mundo há quem comece a ver que afinal nem é assim tão fácil como se esperava... E quem é que paga no final? Pois claro, as freguesias! Afinal é ali que está o grande problema do endividamento! São as grandes freguesias (as outras com imeeeeeensos fregueses ) que depauperam o erário do Estado! A isto se chama cortar o mal pela raíz.... errada - ou seja, mais uma acção de propaganda deste governo do género voe mais barato com a transportadora aérea dos portugueses! 

Por falar em voar... agora o Paulinho dos submarinos escondeu-se atrás da sombra do primeiro ministro - longe dos olhares cáusticos da crítica política e anda como quer... 

vive la vie en rose... eu vou dormir.

O Cartoon do dia

07/07/2011

O Português no Mundo


O Português foi sem dúvida a língua de Camões, Almeida Garrett,  Eça de Queirós, de Fernando Pessoa, de Florbela Espanca, de Sophia de Mello Breyner e de tantas, tantas outras centenas de nomes que marcaram a prosa e a poesia portuguesa ao longo da nosa História. 

A língua portuguesa tem, de acordo com a Wikipedia, cerca de duzentos e setenta e dois milhões e novecentos mil falantes, é a língua oficial de oito países e a quinta mais falada no mundo. Os números poderão não ser exactos mas serão suficientes para dar uma ideia da sua grandeza.  

Dúvidas? Não. Mais detalhes. 


A imagem acima, gentilmente cedida por João Roque Dias  (também aqui),  revela o  óbvio:

O Acordo Ortográfico de 1990 vem destruir o legado de séculos de ligação ao português de Portugal (apesar da redundância, gosto da expressão) em sete dos oito países falantes desta língua, tida como a sua língua oficial! 

O Acordo Ortográfico - a mentira! - não vai unificar nada e em nada o português destes países! Porquê? Porque não dá!
Cada um tem um percurso histórico diferente, influências culturais muito distintas e por muito que se queira, a fonética não poderá em caso algum ser a desculpa para destruir nove séculos de História. 

Numa coisa dou razão aos defensores do AO90. Não vale a pena ser purista da língua, uma vez que esta está em constante mudança. Sim, isso é verdade. Mas uma língua deve evoluir naturalmente e essa mutação deve-se basear sobretudo num uso comum aceite pela comunidade falante. É aí que o AO90 falha: os portugueses não escrevem como falam porque existem normas que sustentam a escrita.

Por exemplo, não se escreve “muinto” apesar da nasalidade incutida à palavra.  

Tal revela que a imposição  de regras arbitrárias pelo AO90 vai falhar desde logo porque (primeiro) essas mesmas regras não advêm de um uso generalizado da escrita e (segundo) porque as únicas pessoas que escrevem assim, ou não estudaram originalmente em Portugal nem certamente num dos sete países onde o português de Portugal é a língua oficial ou então se estudaram, não devem certamente ter passado da quarta classe (ou pagaram para passar).
Ficheiro:Camoes-salvando-os-lusiadas-a-nado.jpg


Admito que não sei nadar e o facto é por si mesmo arrepiante quando penso que estou, como muitos cidadãos deste país, a lutar para permanecer à tona da água e não deixar assim que a mais valiosa obra da nossa Pátria se afunde: a língua Portuguesa.  

 












O Cartoon do Dia

Lixo?? Quem?



Esses senhores estão a tornar as coisas muito difíceis em prol de interesses instalados... Serão os investidores da Lehman Brothers? União Europeia? Não interessa e já chega! Andaram a brincar com o nosso dinheiro durante muito tempo.

The Daily Show With Jon StewartMon - Thurs 11p / 10c
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05/07/2011

O Cartoon do Dia

... é como a grandeza da cabeça de um alfinete - depende dos pontos de vista.



... também podemos dizer que neste momento já sobra um lugar na Assembleia da República mas quem foi já não faz lá falta... e eu posso dizer isso sem arranjar sarilhos!

04/07/2011

O Cartoon do Dia


Claro que sim, especialmente em Portugal...   ou há alguém aqui que saiba de política, economia, com capacidade de resistência aos lóbis e com empenho para combater a corrupção por forma a tirar o país da crise?