16/10/2011

O Triunfo dos Porcos ou a Guerra dos Mundos?

Prometo que não  vou dizer mal de Orwell, nem na NATO...

Há poucos dias, no regresso de Barcelona, li no EL PAIS um interessante artigo com o título "A África está à venda". E porque me sinto chocado com o que li, gostaria de deixar aqui um resumo em jeito de reflexão, até porque este tema tem de ser divulgado.

Este artigo descreve o que se passa actualmente em muitos países sub-desenvolvidos, sobretudo os africanos, onde grupos privados estrangeiros têm vindo a comprar aos governos nacionais grandes extensões de território (os números apontam para cerca 227 milhões de hectares já transaccionados) no sentido de aproveitar as potencialidades agrícolas dos ecossistemas.

Na generalidade fica-se com uma ideia positiva quando se ouve falar de grandes investimentos em regiões sub-desenvolvidas. Pensa-se sobre a melhoria no apoio às populações, das condições de vida mas afinal tudo isto não passa de publicidade, pois acontece exactamente o contrário e a realidade mostra que os próprios governos nacionais (detentores plenipotentes do território nacional) que destituem as populações das suas terras, dos meios que dispõem para subsistir, acusando-os de ocupação ilegal e arredando-os para parte incerta.

Ora, é o que acontece em países como a Etiópia, Zâmbia, Moçambique, Sudão do Sul, Libéria, Madagáscar, entre outros, que possuem um território potencialmente arável mas não têm capital, capacidade tecnológica, conhecimento, o que seja para tirar partido desses recursso naturais.

Em 2008, quando houve um receio global de que os alimento existentes não fossem suficientes em virtude do boom nos bio-combustíveis, mais do que em anos anteriores, estes países africanos venderam mais parcelas de terra a investidores estrangeiros vindos de países ocidentais, como o Reino Unido, mas também da China, da Índia, da Coreia do Sul, da Arábia Saudita ou do Kuwait.

Os territórios comprados são dotados à exploração comercial de bens como arroz e cereais ou óleo de palma mas, como referi, não sem que antes as populações sejam levadas a abandonar essas terras "emprestadas".

Para mais, apenas uma muito pequena percentagem dessas populações acaba por ser assimilada para trabalhar nesses campos, pois as empresas estrangeiras trazem consigo a maior parte da mão-de-obra necessária. Noutras palavras, penso que estamos a falar de um novo sentido de colonialismo e de exploração humana e de escravatura.  É grave? Pois é.

Mas mais grave ainda é quando ficamos a saber que tudo o que é produzido tem como destino único a exportação. Exactamente, deixam-se as pessoas nesses países morrer à fome e de má nutrição, enquanto ali ao lado se produz o suficiente para suprir a necessidade mais básica de todas: a fome.

Um exemplo disso é na Etiópia, país que tem vindo aumentar a dimensão das terras vendidas a grupos estrangeiros. Se por um lado produz e exporta, por outro, existem milhares de pessoas que se resignam à fome e à morte. Digam-me se isto não é a miséria da mais pobre miséria, um capitalismo irracional... Quem diria que também há arroz, cereais e outros bens alimentares marcados com sangue...

Enfim, esta guerra dos mundos tem a ver com ricos e pobres (os indignados sem voz), tem a ver com a posse, com a liberdade, a fome e a sobrevivência enquanto os porcos triunfam...

Antes de terminar, queria deixar os meus parabéns ao jornal El País pela qualidade jornalística, algo que em Portugal minga ou não existe. 

15/10/2011

Irregularidades no Acordo Ortográfico

No Brasil, um movimento que se opõe ao Acordo Ortográfico de 1990 vai processar a Academia Brasileira de Letras, órgão responsável pela regulação dessa aberração linguística, por "lesão ao patrimônio brasileiro" ou seja, um atentado contra o património nacional. Em Portugal? Estamos a caminho.

Enquanto esperamos por mais desenvolvimentos, apelo a que assinem a ILC. Vamos também unir esforços para acabar com este crime de Lesa-Pátria! E agora, deixo-vos a notícia publicada online no "Jornal do Brasil":


Jornal do Brasil - País - ABL é processada por irregularidades no Acordo Ortográfico 14/10/ 11
ABL é processada por irregularidades no Acordo Ortográfico
Jornal do Brasil



A Academia Brasileira de Letras e demais autoridades públicas estão sendo processadas em ação popular movida pelo professor Ernani Pimentel, líder do movimento Acordar Melhor. A ação acusa a Academia de lesão ao patrimônio cultural brasileiro com a implantação do Novo Acordo Ortográfico. De acordo com o professor Ernani Pimentel, a execução do acordo a partir do próximo ano contraria e extrapola
pontos acordados entre os países que falam a Língua Portuguesa, sem aprovação do Congresso Nacional. Além disso, segundo ele, a Academia não conta com a participação ativa de outras importantes entidades para definir as regras do Acordo, como exige a Legislação.
Entidades como ANPAC (Associação Nacional dos Concursos Públicos), ABI(Associação Brasileira de Imprensa) e a OAB (Organização dos Advogados do Brasil) são contra o posicionamento da ABL. O processo movido prevê a prorrogação da implementação do acordo, de forma que ele seja reconduzido e à legalidade e adequado aos parâmetros pedagógicos atuais para beneficiar todos os países de Língua Portuguesa.
Para discutir o tema e fortalecer a consolidação de um acordo atualizado, o professor Ernani Pimentel, líder do movimento Acordar Melhor, realiza no dia 19 de outubro, às 20 horas, a palestra ”ACORDO ORTOGRÁFICO: O QUE SE ESCONDE”, na USP. O evento vai acontecer no Centro Universitário Maria Antonia, na Rua Maria Antonia, 258/294, Vila Buarque, São Paulo / SP. Entrada Gratuita.

Porque o Fado nos está na Alma 59

A mensagem está na rua! Os Indignados estão por toda a parte!

Rock a todos!

A caminho de Abril?


Já aqui há alguns dias ouvi uns ecos que os Serviços de Informação alertaram para a possibilidade de tumultos em Portugal. Tive quase vontade de rir - nós, povo pacato, ao pontapé na rua é algo que não me passa pela cabeça.


No entanto, a verdade mostra que o descontentamento é geral e atravessa quase todos os sectores da população: como frisa o DN, desde 1974 o salário mínimo aumentou apenas e tão somente 88€; o SOL em entrevista a Manuel Carvalho da Silva indica que o aumento de duas horas e meia de trabalho por semana representa um corte nos salários de 6,25% - enfim, depois de três décadas de promessas, parece que estamos - globalmente - a chegar a um ponto de não-retorno... Para além da manifestação marcada para hoje - nao só em Portugal -outros tantos avisos e semelhantes ameaças perfilam-se para acontecer em breve... 
O que hoje me chamou a atenção foi a notícia do jornal  Económico escrevendo sobre o descontentamento dos militares. A História não se repete, sempre ouvi dizer,  mas isso não impede que tenha episódios muito similares. Quiçá  Abril está mais perto do que se julga? Fica aqui o texto do jornal : 


Crise

Militares avisam Governo que estão com a população contra a austeridade

Rita Paz com foto de Paula Nunes
14/10/11 19:25


Militares avisam Governo que estão com a população contra a austeridade
Militares admitem endurecer as manifestações de descontentamento e já marcaram um encontro nacional para 22 de Outubro.
A Associação Nacional de Sargentos (ANS) reagiu hoje às novas medidas de austeridade anunciadas ontem pelo Governo e que vão fazer parte do Orçamento do Estado para 2012.
Ao Económico, O presidente da ANS diz que "já há muito tempo" que os militares estão "a preparar uma série de iniciativas". E "se alguma dúvida existia na mente dos mais crédulos, as afirmações de Passos Coelho deitaram abaixo qualquer dúvida".
António Lima Coelho lembra que "há meses atrás, na oposição, Passos Coelho disse a Sócrates, na altura primeiro-ministro, que cortar nos subsídios era um disparate" e acrescenta: "Nós temos de ter memória, não podemos continuar a ser adormecidos com conversas bem ditas".
Por isso, "no próximo dia 22 vamos realizar um encontro nacional. E este não é um encontro que se encerra em si mesmo, dado que poderão ser encontrados outros caminhos, quer sejam de demonstração de mau estar quer sejam de reiterar a disponibilidade para com quem está no poder de encontrar soluções para todas as partes", sublinha António Lima Coelho.
É que, segundo o responsável, as novas medidas de austeridade anunciadas ontem por Passos Coelho, "põem em causa os direitos constitucionais e inclusive de soberania" do país, sendo que "o corte dos subsídios é um agravamento de uma situação que já era muito difícil".
"As revoluções não se anunciam"
António Lima Coelho admite que "para o cidadão comum é muito difícil não conseguir cumprir os seus compromissos, mas para um militar que está obrigado a cumprir com as leis da República é muito mais grave".
Os militares garantem assim que "estão ao serviço do povo português e não de instituições particulares", e avisam: "Que ninguém ouse pensar que as Forças Armadas poderão ser usadas na repressão à convulsão social que estas medidas poderão provocar".
Questionada sobre um possível endurecimento dos protestos por parte dos militares, a Associação avança que "as revoluções não se anunciam, quando chegam, chegam porque têm de chegar, mas espero que a bem do Estado de direito que nunca um cenário desses se venha a pôr", conclui.
Recorde-se que no mês passado Passos Coelho fez questão de frisar, no discurso que escolheu para a sessão de encerramento das Festas do Povo, em Campo Maior, que "em Portugal, há direito de manifestação, há direito à greve. São direitos que estão consagrados na Constituição e que têm merecido consenso alargado em Portugal".
No entanto, avisou na altura o primeiro-ministro, "aqueles que pensam que podem agitar as coisas de modo a transformar o período que estamos a viver numa guerra com o Governo", quando o que existe é "uma guerra contra o atraso, a dívida e o desperdício", esses "saberão que nós sabemos dialogar, mas que também sabemos decidir".

14/10/2011

Outro...

vídeo que apela à mudança, mas sinceramente não sei onde encontraremos forças para mudar ...  isto está crítico:

A verdade da mentira...

Eu já ouvi o Primeiro Ministro dizer, infelizmente...

Porque o Fado nos Está na Alma 58

Oh que dia glorioso!
Acabo de abrir a janela e o céu límpido e azul promete um dia ameno de calor e alegria... Está nos noticiários, nos jornais, nas rádios, passa de boca em boca, qual cantiga da rua... Depois da toccata e fuga em Passos de Coelho, abre-se uma nova dimensão da nossa realidade!
Minhas senhoras, meus senhores, de Dvorak, a nona sinfonia, "Do Novo Mundo"   

O Cartoon do Dia

Cheira-me que hoje vai haver mais do que um... Talvez me engane...

11/10/2011

O Cartoon do Dia

E, em linha com o meu post anterior...

A crise veio para ficar?

Há alguns dias não tive oportunidade de o publicar o cartoon do Público mas o texto ficou a ecoar no meu pensamento...


Esta irónica observação põe o dedo na ferida: será que o modelo económico dos países da OCDE esgotou?
Os mercados estão saturados, há mais oferta que procura, a mão-de-obra barata continua a ser substituída pela tecnologia, etc, etc, etc.... do outro lado tivemos os acampamentos de Madrid, agora mais recentemente, os protestos em Wall Street, no Sábado começaram também a chegar a Bruxelas "indignados" de Espanha e França...
A cada duas semanas na Europa anuncia-se uma nova ronda de negociações para salvar bancos ou investidores, como lhes queiram chamar e protelam-se os problemas em vez de criar soluções. O compadre Obama dos Estados Unidos também não está melhor - o Dólar continua a guerra dos preços baixos contra o Yuan da China mas aparentemente sem que haja uma reacção europeia mais forte e concertada, isso não vai ser possível. Enquanto isso existem pessoas normais por trás da crise que pedem apenas um pouco do que lhes assiste, equilíbrio social.  Eu não gosto de falar em problemas mas em soluções. A crise está aí, veio para ficar e exige uma nova ordem de coisas. Talvez seja tempo de os decisores políticos e económicos passarem a olhar para esta temática de outro prisma com vista a soluções que atendam também as necessidades dos números que afinal também são pessoas.

08/10/2011

Preocupante...

É o título da notícia do JN:

Mais de 14 mil participações de violência doméstica em seis meses

Não é possível mudar a mentalidade de uma pessoa de um dia para o outro, mas será possível evitar casos futuros ao actuar pró-activamente através da educação, como também frisa a Secretária de Estado. No entanto, enquanto se educa, espero que os meios disponíveis comecem a dar resultados e que se possa progredir no combate a este flagelo.