20/02/2017

Às vezes

...dou por mim a pensar - coisa estranha - naquilo que consegui, no que abdiquei e o que paguei para poder chegar onde estou. E todos os dias me pergunto se era isto que queria. De todas as coisas que queria abdicar só a solidão me ultrapassa - em câmara lenta, lenta, lenta... Não me faz falta muita coisa, só os amigos...

27/09/2016

Quantos anos tens?

No outro dia perguntaram-me quantos anos tenho.

- Tenho... <pausa>

<quantos anos tenho, afinal? Já tenho mais de dezoito, já passei os vinte e os vinte e cinco... aqui há uns anos fiz os trinta e já lá vai mais alguns desde então... E vai daí, comecei a fazer contas de cabeça, a perguntar-me a mim mesmo em que ano é que nasci...> 

- Tenho... <nova pausa>

<e tal como a resposta foi saindo, engasgada, fiquei a pensar na pergunta. Quantos anos tenho? O tempo é etéreo, não se pode agarrar, prender, fechar, guardar, manter... E para dizer a verdade, nao é assunto que me ocupe os dias... Agora que acabo de responder pergunta-me o meu interlocutor: 

- Tens a certeza? 

<curiosamente, num milésimo de segundos fiz novamente as contas de cabeça.>

- Sim. - respondi, ainda que pouco convencido.   


< Chego à conclusão que não tenho tempo para pensar no tempo que passou. Nem em quantos anos tenho ou quantos anos vivi - 
ah! se eu fizer as contas aos anos que vivi a vida, acho que acabava por ser muito mais novo do que hoje sou.>

<Na verdade, quando a pergunta  me foi feita "Quantos anos tens" estive muito perto de responder vinte e dois. Não porque se tenha passado alguma coisa de especial aos vinte e dois anos. Simplesmente é um número bonito, capicua. Além disso, permite-me voltar a fazer asneiras e a experimentar coisas que a cada dia que passam se tornam mais distantes... pois, mas isso já lá vai. E agora, regressando ao planeta terra, rapidamente noto que os vinte e dois e três e quatro e cinco e seis e por aí a fora já passaram há muito tempo...>

<pouco depois, ouço-me a dar-me um conselho: esquece quantos anos tens e preenche os
momentos do teu dia-a-dia sem te preocupares em saber quantos anos já passaram - age com a naturalidade da tua idade mas continua a viver como se tivesses apenas os vinte e dois... porque... porque são capicua.> 

23/02/2016

Momento histórico

Saúdo os Deputados do PS, do BE e do PCP pela aprovação do Orçamento de Estado. Faço votos para que este consenso à esquerda sirva para ajudar a melhorar a situação do país e em concreto a qualidade de vida dos Portugueses!

18/02/2016

Encostado às boxes

Temos tempo. Não o tínhamos antes porque há sempre desculpas.
Quando se encosta às boxes, o tempo aparece, por poucos segundos que sejam. Segundos que parecem minutos, horas, dias, semanas ou quanto tempo for necessário para nós. Não para as nossas coisas, para nós apenas.
Enquanto se está encostado às boxes pensamos naquilo que gostaríamos de fazer com o tempo útil em que ali estamos. Certo é que nos apercebemos que o anseio de poder realizar alguma tarefa esbarra nas condições físicas que nos atiraram para ali.
Então... tenho uma ideia. Projecto o que quero fazer! Assim que deixar as boxes, vou acelerar ao máximo e num breve instante realizar as acções que agora traço... e simultaneamente regressar ao labor quotidiano...
Tão cedo me apercebo quão etéreos são os meus anseios. Porquê? Porque afinal só agora tenho tempo para mim. Que estou encostado às boxes... Frustrante.

28/01/2016

Os alentejanos... outra vez...

Um Alentejano, vai a Évora ao médico. 

Durante a consulta pergunta-lhe:
- Doutori … o que é exactamente o Viagra?

Médico: 
- São pílulas, que fazem você ter relações sexuais 4 a 5 vezes por dia...

Alentejano : 

- Aaah ... é um calmanti!?!



(surripiado do facebook...)

14/11/2015

13 de Novembro 2015

Paris.
Podia ser qualquer outra cidade da Europa ou dos arredores longínquos.
Podia, sim, mas não.
Foi Paris, de novo
o centro de um novo mundo
antagonicamente civilizado...



O meu respeito para as vítimas destes ataques terroristas.
Não nos esqueçamos que cada golpe destes é uma machadada na nossa liberdade comum.


16/10/2015

momento

Há no luar
ao fundo
uma incerteza
qual vaga
lenta
rebentando na beleza
dos teus lábios

e a noite desce
e o sol sai
sobe soturno
a lua vai...
...e volta
amanhã
na saudade
de morar mais perto
do que já não volta a ser
falta-me um beijo
que nunca me deste
e nunca vou ter