27/09/2011

Apreensão

arrepio e choque. Foi o que senti depois de ver isto.     

Desde estes acontecimentos que algumas destas pessoas estão desaparecidas. Homens, mulheres e crianças, inclusivamente


Não é uma auto-estrada que está em causa - é muito mais. E o resultado será que estes homens, estas mulheres e estas crianças vão perder o que lhes dá o sustento: o TIPNIS


Aqui venceu a lei do mais forte e este é aparentemente o preço a pagar pelo "progresso", a expansão "cocalera" e do saque de recursos alheios por grandes potências...  Mas, ninguém no poder quer saber disso. 




Esclarecedor, leia-se também o comentador político Pablo Andrés Rivero em "Os Oito Pontos Chave para entender o conflicto [do TIPNIS] na Bolívia".
  
Num país que tem "açúcar" e "paz" como capitais, entenda-se que este é um momento amargo e revoltante para o chamado Demo Kratos ..



E, antes de terminar, porque o conceito é válido em qualquer parte do mundo e também bastante actual, tanto na Bolívia, como em Portugal, deixo aqui um parágrafo do livro " A Democracia" (publifolha 2001) de Renato Janine Ribeiro:

A palavra democracia vem do grego (demos, povo; kratos, poder) e significa poder do povo. Não quer dizer governo pelo povo. Pode estar no governo uma só pessoa, ou um grupo, e ainda tratar-se de uma democracia – desde que o poder seja do povo. O fundamental é que o povo escolha o indivíduo ou grupo que governa, e quecontrole como ele governa. 


Nunca é demais relembrar estas coisas simples.

Com tristeza

leio que um dos meus realizadores preferidos acaba de nos deixar.

David Croft, argumentista Inglês, residente em Portugal deixou-nos um excelente legado difícil de igualar em número de gargalhadas e boa disposição por minuto.
Argumentista e produtor vivia em Portugal
imagem surripiada do Público
 




Obrigado.

25/09/2011

Porque o Fado nos está na Alma 53

Acabo de ouvir que a campanha na Madeira oficialmente começou com mais uma inauguração. E, não sei bem porquê, apeteceu-me imediatamente dedicar esta música ao Albert John...

23/09/2011

Nota de apreço


imagem surripiada
 de http://tiny.cc/82tq6
Gostava de deixar aqui uma nota especial de apreço a Alberto João Jardim pelos serviços prestados na defesa dos interesses de uma minoria da população portuguesa, em concreto, os interesses dos habitantes da região insular da Madeira, a quem tantas obras consagrou ao longo das últimas três décadas e picos...

Todos nós, portugueses do continente sentimo-nos deveras lisonjeados porquanto não merecíamos a tamanha dívida, esta, com que fomos brindados e, ainda que essa seja uma coisinha de nada, vai-nos ficar para recordação nos Orçamentos de Estado, quiçá, das próximas três décadas, tornando este magnífico óbolo no fruto do trabalho de uma vida, essa,  multiplicada por onze milhões hoje e, daqui a quinze anos,  talvez, por metade - afinal a população está a envelhecer e cada vez mais se opta por ter menos filhos...

Mas, voltando ao essencial, obrigado Alberto, se é que me permites que te trate assim, porque estou certo que os portugueses gostavam todos de poder retribuir na mesma moeda, confiscando para pagamento das dívidas os bens acumulados (provavelmente até estarão fora de praia), proporcionando-te um julgamento justo com um juiz que não copiou nos exames, providenciando-te uma cela limpa de amplo espaço, com pelo menos nove metros quadrados e sobretudo com oportunidade para te encontrares com todos os teus compinchas que, do igual modo, te fariam companhia durante algumas horas por dia nas próximas, pelo menos, duas décadas...

Finalmente, gostaria de estender esta nota de apreço a todas as outras trinta personalidades e demais instituições que - não tendo informação oficial se opuseram a tomar qualquer acção, para que hoje pudéssemos chegar ao ponto em que nos encontramos.  A todos...

Ferreira - on the Road

Apetece-me dizer uma coisa

18/09/2011

Treinador de bancada

Depois de semanas a ouvir políticos, economistas, intelectuais, taxistas, padeiros, peixeiras, engraxadores de rua e quantos mais não sei por aí a falar da crise, do Euro, da Europa, do arrombo que Portugal, Grécia, Espanha, Itália, Irlanda e que mais de uma outra vintena de países levam, acho que me sinto cada vez mais esclarecido sobre o que não se deve fazer numa altura destas: cruzar os braços e esperar que quem vem atrás feche a porta. Ora eu, qual iluminado mal amanhado, eu posso ter opinião?  Quer dizer, poder, posso, mas não devia botá-la cá para fora porque fica mal uma vez que eu não sou engraxador de rua, peixeiro, padeiro, taxista, economista, político ou intelectual... Ah! Que se lixe, sou português e treinador de bancada, como outros noventa por cento dos apreciadores de futebol em Portugal e dos outros noventa e nove por cento dos analfabetos políticos. Ora então, cá vai:

De facto a Europa está a reagir melhor que outras potências face a esta crise - poucas dúvidas tenho que estejamos pior que os Estados Unidos por exemplo, que estão hiper-dependentes da China, qual  toxicodependente de heroína. Prova disso é ver o Euro, aí, aparentemente a vender saúde conquanto, de alicerces a abanar...

Mas se queremos continuar sentados a jogar póquer com os EUA, com a China e com a Rússia ou com a Índia, então temos que melhorar os sinais primeiro com os nossos parceiros Europeus. Temos de jogar em conjunto.

Mas, perguntam-me, está na altura de lhes abrir o jogo? Isso vai claramente contra as negociatas de ocasião... Isso obrigaria a mudar muita coisa na Grécia, em Portugal e nos outros vinte e cinco em termos de transparência... Eu sei, mas aparentemente o caminho que estamos a seguir também não se perfila como solução.

Ontem ouvi um comentador atacar a moeda única e a União Europeia, talvez com alguma razão. Ao longo dos últimos nove anos o Euro apareceu pequenino frente ao Dolar, a referência monetária mundial, encontrando pouco depois a paridade e, de seguida, a ascensão. Está certo que nem todos os efeitos deste processo foram justos para os cidadãos Europeus, bem como ficou provado que nem tudo funciona perfeitamente. Mas, admitamos, certas falhas só podem ser detectadas se houver evolução. E houve-a, para o bem e para o mal.  

Agora, será necessário agir rapidamente mantendo os pés bem assentes na terra porque senão cai a Grécia, cai a Itália, cai Portugal, cai a Espanha, a Irlanda e todos os outros atrás- mais depressa que peças de dominó empilhadas. Senhores políticos, ouvem? Tic, tac, tic, tac... é o tempo a passar! Mexam-se!

Pronto já está - não trouxe nada de novo mas expressei a minha inócua opinião...

17/09/2011

O Cartoon do dia

Ficou meio mundo espantado... De facto, até custa a compreender!

Depois de construir uma dívida com mais de 1100 milhões de euros, de desvalorizar as intenções do Procurador Geral da República, de ter dito: "A dívida subiu, mas não é nada comparado com a vergonha do Continente." agora vem acusar o contenente de falta de solida... solida - nem consigo dizer a palavra... É verdade, não subestimem o Alberto - vergonha não lhe falta!
 
Caros leitores, como o orçamento tem sido todo canalizado para a Madeira, não tenho mais do que os cartoons do bartoon para ir mostrando...

12/09/2011

O Cartoon do dia


Ui! 

Vocabulário Comum?? O Des-Acordo Ortográfico!

A propósito do chamado Vocabulário Comum no qual em parte assenta o denominado Acordo Ortográfico de 1990, pode ler-se no Ciberdúvidas uma excelente reflexão de D'Silvas Filho.

Dada a importância do assunto e apelando também à sua divulgação, transcrevo para aqui o texto publicado:


Sobre o Vocabulário Comum da Língua Portuguesa


D’Silvas Filho


[A] questão do Vocabulário Comum da Língua Portuguesa para apoio do Acordo de 1990 não tem sido pacífica. 
Texto escrito pelo autor para sua página pessoal, na Internet.
No introito, o Acordo regista:

«Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração, até 1 de Janeiro de 1993, de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto possível e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas.»
O texto não está perfeito. O Vocabulário Comum (VC), necessário um ano antes da data prevista para entrar em vigor o Acordo (1994), refere-se só às terminologias científicas e técnicas?
    Se a ideia era mesmo restringir as condições do VC às terminologias científicas e técnicas, uma redação mais correta seria:
a)   ..... um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa para as terminologias científicas e técnicas, tão completo e tão normalizador quanto possível.
De facto, basta no texto original fazermos uma pausa entre a estrutura
..... de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto possível .... e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas.
Ou, numa redação sem ambiguidades, tínhamos a nova ideia:
..... um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa tão completo quanto possível e, no que se refere às terminologias científicas e técnicas, tão normalizador quanto possível.
Uma das qualidades da língua é clareza na transmissão da mensagem (sem ambiguidades). Este pequeno exemplo deu bem a ideia de que não houve o cuidado que se exigiria na redação dum documento tão importante na língua. Aliás vários outros lapsos se detetam no texto do documento, o que bem justifica a sua revisão.
     Como se sabe, para o Acordo entrar em vigor era também necessário, no texto original, que todos os Estados signatários o ratificassem. Por isso esteve na gaveta muitos anos. Portugal mantinha-se indiferente; mas o Brasil, desejoso de afirmar a sua língua como grande potência emergente (e também desejoso de entrar nos PALOP, que seguiam a norma do português europeu) ficou impaciente.
Depois de se obter que a CPLP conseguisse um acordo geral em que bastava só a ratificação de três países signatários para o Acordo poder entrar em vigor, o Brasil, S. Tomé e Cabo Verde ratificaram-no.
Assim, com base nestas ratificações de 3 países, o Brasil, na interpretação a) do VC acima, elaborou um monumental Vocabulário para o novo Acordo: VOLP, com cerca de 350 000 entradas, e avançou com a entrada em vigor do Acordo no seu país em 2009. Repare-se que, no que se refere aos termos científicos, de qualquer forma o Acordo de 1990 não foi satisfeito.
Ora desde sempre que eu me tenho batido, em todas as instâncias, pela interpretação b), logo pela necessidade da existência de um VC que inclua todas as variantes da lusofonia (a Academia Galega deseja com justiça que inclua também os seus termos, porque, insiste, a sua língua também é uma variante da língua portuguesa).
Na interpretação b), a entrada em vigor do novo AO exigiria até a existência prévia (um ano antes) de um VC (dos termos comuns) para toda a lusofonia, ou pelo menos para os países nos quais o novo AO entrasse em vigor. Nesta ideia, a entrada em vigor do novo AO desobedece ao Acordo.
Repare-se que, a confirmar esta minha interpretação b), o 4.4 das Notas Explicativas do Acordo regista no fim:
c) «Os dicionários da língua portuguesa, que passarão a registar as duas formas em todos os casos de dupla grafia .....»
Ou seja, os dicionários gerais da língua portuguesa passarão, por exemplo, a registar antónimo e antônimo, co-herdeiro e coerdeiro, abrupto e ab-rupto, etc.; em resumo, todas as variantes da língua.
    Ora o vocabulário de papel VOLP brasileiro não tem algumas variantes portuguesas e tem termos que não adotamos, como o coerdeiro, ou o ab-rupto. Não serve como vocabulário geral para a língua. O mesmo poderão os brasileiros dizer dos nossos vocabulários para o Novo AO já publicados.

Note-se também que o texto c) está mais logicamente em coordenação com b), pois exige que num VC dos temos comuns, estejam todas as variantes da lusofonia (que seja completo quanto possível); enquanto na terminologia científica o que interessa é uniformizar os termos ao máximo, para que os técnicos usem exatamente a mesma linguagem nas suas comunicações ou projetos, sem quaisquer dúvidas que possam dar origem a enganos (que seja unificador, isto é, normalizador quanto possível).
Assim, em boa hora a CPLP tomou a seu cargo o empenho de realizar a língua comum pretendida, com a iniciativa de promover estas reuniões técnicas sobre o VC (para os termos comuns e não só para os termos científicos).
Sublinho, finalmente, que no início eu só defendia o VC a pensar no objetivo final que houve na mudança ortográfica feita e que a justificava. De facto, só com um VC geral poderemos dizer que estamos em presença duma língua comum planetária. Neste espírito, a entrada em vigor do novo AO nos diversos países onde já vigora, não passa de um mero preâmbulo para a constituição da língua comum almejada, e a realização dos respetivos vocabulários para o novo AO, unicamente como elementos de trabalho para a língua comum.
Agora vou mais longe. Depois de aplicar o Acordo nos meus livros, concluí que precisa de algum aperfeiçoamento nas suas imperfeições: As alterações ortográficas realizadas, algumas com violência dos hábitos de escrita, afinal pequena simplificação fizeram, e, inversamente, trouxeram incoerências, deixaram incertezas, nalguns casos provocam ambiguidades. Por exemplo, resumindo o que já referi em artigos anteriores: trouxe as incoerências do tipo “estupefação/estupefacto”; implicou a confusão escrita em “corretor” nos seus significados de intermediário e quem corrige; obrigou-nos à ambiguidade de “para”, do verbo parar, sem o acento, pois se confunde com a preposição “para”. Além disso, um VC permitirá a eventual uniformização de termos como “comummente/comumente” “hífenes/hifens”, etc.; em resumo, o aperfeiçoamento do Acordo de 1990, pois este será discutido em pormenor nas comissões científicas que vão elaborar o VC.
Esperemos que essas comissões sejam efetivamente constituídas por linguistas competentes e sensatos, que obedeçam ao critério de uniformizar e simplificar a língua, sim, mas que não lhe retirem muitas das virtualidades que os nossos ancestrais lhe foram dando. Os obreiros do Acordo de 1990 conseguiram uma obra meritória no seu objetivo difícil, mas agora não convinha que estivessem na comissão de trabalho para o VC, para evitar a teimosia em soluções que se revelaram controversas.

11/09/2011

Sobre o Autor

Consultor do Ciberdúvidas, membro do Conselho Científico da Sociedade da Língua Portuguesa e autor doProntuário UniversalErros Corrigidos de Português, da Texto Editora.

11/09/2011

04/09/2011

Existir é tão fácil

Existir é tão fácil quando não se tem que ser.
As flores do quintal e os malmequeres do jardim
subsistem sem embaraço sem cuidado,
só lá estão porque alguém quis assim,
nem se perguntam qual o seu fado
nem o que lhes irá acontecer...

Porque o Fado nos está na Alma 48

Bach, Prelude No. 1 em Dó Maior (BWV 846)

02/09/2011

vinte milhões de euros????

E agora o que é isto? 20 000 000 € ??? Já não bastava a Madeira???
Andam a fazer pouco dos Portugueses??

Afinal os interesses instalados (os lugarzinhos da caixa) - que têm ideias à euromilhões -  não pretendem apenas delapidar a participação do estado em diversas empresas mas também ainda gozar com a cara dos portugueses que neste momento se encontram à beira da miséria! Estão a ultrapassar os limites da decência política!!!

Já chega!

Porque o Fado nos está na Alma 47

Uma obra-prima de J.S.Bach - a Paixão Segundo São Mateus, BWV 244 , vale a pena ser ouvida integralmente. Aqui fica uma pequena parte. Bom fim-de-semana.

01/09/2011

Em jeito de resposta 4

Mais uma vez, caro Folha Seca, pego no mote deixado por si sobre o "Triunfo dos Porcos" e deixo-lhe esta fotografia de uma placa que se encontra fixa ao monumento ao Marechal Floriano Peixoto, na praça da Cinelândia, Rio de Janeiro.    
Esta mensagem dá para ver como as coisas eram dantes. Curioso como os tempos mudam...