20/03/2010

On the road

E outra vez fiz-me à estrada, qual Sal Paradise, fui andando sem tino e procurando um rumo que não encontrava, simplesmente porque não existia...
As terras que ia correndo, uma após outra, eram cada vez mais iguais a si próprias e às pessoas com quem me cruzava - tudo parecia ter um curto prazo que estava sempre a expirar - ainda há pouco cá estavam e agora já não existem... E tudo tão rápido, que mal me voltava ao acordar, já era hora de deixar esses lugares por onde guerras passaram e nunca mais sinal de vida se avistara, lugares esses onde ainda hoje a monotonia reina... À falta de melhor, aplica-se a teoria da melhoria contínua invertida: se hoje foi mau, amanhã será pior - Carpe Diem - aproveita o dia de hoje porque não sabes o que amanhã te trará.
Entretanto "Dean", o velho "Dean" que nem o correr do século o fez ficar mais velho, ia ocasionalmente dando sinais de vida: mudei-me, estou a viver mais longe que alguma vez podia imaginar - mas hoje nada quero que não isto, onde estou: os dias passam mais lentamente e as noites absorvem-me o ego, olvidando quem sou... mas a cada manhã que passa redescubro-me nas páginas de cada livro que vou lendo, comprados nos mercados de rua desta cidade cinzenta que nada tem de comum com o que alguma vez conheci...
Numa das minhas caminhadas pensara conhecer entretanto a minha cara metade. Mais longe ainda que madrugada procurando alcançar o final do dia, começara a criar raízes, qual árvore exótica em terreno árido...
Eis senão que, ao contrário do que prometera, ao ouvir a estrada a chamar, apertei o relógio ao pulso, agarrei na mochila e saí. Fui, sem ideia de saber se voltar seria opção. Outros caminhos esperavam por mim e eu inconscientemente sabia-o desde o princípio. Mais uma vez, encontro-me a caminho de lugar nenhum...

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